As máscaras que usamos nas mídias sociais

Tradutora: Flavia Totoli

A Marilyn Monroe disse uma vez: “querer ser outra pessoa é um desperdício da pessoa que você é.” mas sejamos honestos, todos nós já passamos por isso: todos nós já olhamos outra pessoa e quisemos viver suas vidas. E mais do que qualquer outro aspecto da vida moderna, as mídias sociais reforçam esse sentimento.

As mídias sociais estão roubando nossa alegria?

Navegar por horas e horas no Facebook, Instagram e Twitter se tornou um dos passatempos mais comuns do século vinte-um. Nós curtimos selfies após selfies, deixamos comentários em fotos de férias, festas e encontros. Por mais bacana que essa ferramenta seja para nos ajudar a ficarmos conectados com as pessoas em nossas vidas, as mídias sociais também tem um lado negativo. Um estudo conduzido na Universidade de Copenhagen, por exemplo, mostrou que pessoas que usam o Facebook com frequência experimentam o que os cientistas chamam de “Inveja de Facebook”. Esse estudo mostrou que quanto mais tempo passamos navegando e curtindo, mais nos comparamos a outras pessoas e mais as invejamos:

“Eu gostaria de tirar férias bacanas como essa.”

“Eu gostaria de estar namorando alguém que cozinhasse para mim – na verdade eu queria estar namorando qualquer um!”

“Nossa, como ela é bonita. Ela é muito mais bonita que eu. Aposto que ela é muito mais legal também!”

Quanto mais pensamos essas coisas, mais procuramos validação publicando nossas próprias fotos. Ao invés de passarmos tempo de qualidade com nossos amigos, nós tiramos fotos em grupo para mostrar o quanto estamos nos divertindo. Ao invés de passarmos tempo sozinhos, procuramos pelo filtro perfeito para nossa selfie. Tuitamos sobre como estamos nos divertindo na praia – e acabamos perdendo o por do sol. É exatamente assim que criamos nossa “máscara”. Disfarçamos nossos problemas de auto-estima, através de selfies ou mostrando os músculos. Ao invés de estarmos presentes numa conversa, checamos quantas curtidas nosso post mais recente teve… Nossas fotos de férias dizem “Viu, eu vou para lugares legais também!” As fotos com os nossos amigos dizem: “Eu sou sociável. As pessoas gostam de mim.”


Nem sempre conseguimos ver a beleza e as benção em nossas vidas. Focamos na vida dos outros, pensando que são melhores

Mas esses posts e compartilhamentos não fazem com que nos sintamos melhor sobre nós mesmos. Nós não começamos subitamente a nos sentir mais bonitos quando compartilhamos uma selfie, especialmente se essa selfie não teve curtidas o suficiente. Não nos sentimos mais bacanas ou mais queridos quando tuitamos ou postamos algo sobre as nossas vidas. Mas criamos uma linda ilusão. Nós parecemos felizes. Nós parecemos preenchidos. Parece que estamos realizando alguma coisa, mesmo se não sentimos que a imagem é totalmente fiel ao que está realmente acontecendo em nossas vidas.

As mídias sociais estão alimentando o hábito nos compararmos.

Essa frase é verdadeira especialmente no caso dos influenciadores sociais – aquelas pessoas que tem milhares de seguidores e parecem que levam uma vida perfeita. Vejamos o caso da influenciadora latina Jessica Torres: olhando suas fotos, você pode pensar que ela tem uma vida incrível. Ela sempre aparece feliz e positiva em suas fotos. Mas veja o que ela contou numa entrevista recente:

“Tive um episódio de depressão e chorei por dias, não me sentia digna do que eu estava fazendo e representando online. Me senti inadequada e constantemente me questionando sobre cada detalhe do que fazia. Pensava que eu era a única a sentir essa pressão de estar constantemente relevante online e criar conteúdo.”

Soa familiar? A verdade é que todos já sentimos alguma coisa desse tipo. Todas as pessoas com as quais nos comparamos – sejam amigos ou celebridades – também estão no mesmo barco que a gente. Eles podem postar imagens e selfies super bacanas, tuitar coisas muito engraçadas, mas eles estão criando miragens de si próprios. Os perfis de amigos que temos inveja podem estar navegando em nossa conta agora e comparando a vida deles com a nossa “vida perfeita”. Eles podem mesmo estar olhando nosso Instagram e Twitter, pensando “Porque eu não tenho tanto tempo livre, porque eu não estou na praia?” ou “Porque eu não tenho um namorado para me levar para sair? O que eu estou fazendo de errado?”

Você é suficiente

A razão pela qual esses pensamentos vem nas nossas cabeças e atrapalham nossa saúde mental, é que às vezes não estamos conseguindo ver nossas vidas com clareza. Nem sempre conseguimos ver a beleza e as benção em nossas vidas. Focamos na vida dos outros, pensando que são melhores – e no processo sofremos com ansiedade, depressão e sentimentos de inadequação, especialmente quando as mídias sociais estão no meio disso tudo.

Então como podemos aprender a nos olhar de maneira clara, mostrar compaixão por nós mesmos e sermos gratos pelo que temos? A resposta não está na máscara ou ilusão que criamos nas mídias sociais. Também não está em duvidar ou criticar a si mesmo. Está em darmos um tempo, uma pausa para nós mesmos.

Quero dizer “ dar um tempo” de duas maneiras. Primeiro, precisamos dar um tempo das mídias sociais. Se ficamos constantemente nos comparando com os outros e nos sentindo inadequados e infelizes, então talvez seja o momento de realmente diminuir o uso das redes. Passamos tempo demais focando na vida dos outros e criando uma ilusão de nós mesmos que perdemos a perspectiva sobre nós mesmos e nossa vida. As vezes fazemos um trabalho tão bom em criar essa ficção online que ignoramos o que de fato está se passando em nossas vidas.

Podemos pegar as celebridades como exemplo de pessoas que têm perfil perfeitos nas mídias sociais, mas que ainda precisam lidar com os problemas pelos quais todos nós passamos. Por exemplo, a atriz Selena Gomez apareceu nos jornais recentemente porque foi hospitalizada por causa de um problema de ansiedade. Quando pensamos em “celebridades” tendemos a pensar em “perfeição”. Temos a impressão que eles tem tudo e são incrivelmente felizes, o tempo todo. Apesar das contas de mídias sociais de Selena Gomez serem cheias de lindas fotos de sua vida, elas não mostram o cenário completo – que é muito mais comum e parecido com os problemas que todos nós enfrentamos.

Depois de seu problema, Gomez deu um tempo nas mídias sociais, dizendo:

“Por mais que eu seja grata pela voz que as mídias sociais nos dão, sou igualmente grata por poder dar um passo para trás e viver minha vida no momento presente.”


Você pode procurar pelo universo inteiro por alguém mais merecedor do seu amor e carinho que você mesmo, e nunca a encontrará.

Naquele momento, dar um tempo nas mídias sociais, não só foi uma boa maneira de colocar as coisas em perspectiva, mas de se concentrar em como viver uma vida cheia e presente no momento.

Auto-aceitação

Então, porque temos tantos problemas em nos aceitar? Bem, cada um é diferente. Todos nós temos vários problemas com os quais lidamos e causas subjacentes que os alimentam. Portanto, se queremos aprender a nos aceitarmos, precisamos meditar sobre a aceitação. Meditar não é sobre não pensar em nada. É sobre observar os pensamentos que temos, deixando-os passar e olhando suas causas. Em outras palavras, é perceber que nossa reação ao pensamento “Eu sou muito feio” é trazer pensamentos similares como “Meu nariz é muito grande. Minhas sobrancelhas são muito peludas. Meu cabelo não tem jeito.” etc. ao invés de deixarmos o pensamento passar por nós e tentar entender de onde e porque vieram.

Meditações guiadas sobre aceitação, como na série Aceitação do Meditopia, não  nos ensina só a observar esses padrões de pensamento. Eles também nos mostram como voltar ao momento presente com um mantra específico e positivo, como: “Eu sou suficiente. Estou fazendo o que posso. Tenho o que preciso.”

Voltando para o momento presente, conseguimos trazer o foco de volta para a realidade de nós mesmos. Podemos descobrir quem realmente somos, quais as nossas qualidades, o que as pessoas gostam em nós, e o mais importante, porque somos merecedores de nosso próprio amor e compaixão. Nas palavras de Sharor Salzberg, “Você pode procurar pelo universo inteiro por alguém mais merecedor do seu amor e carinho que você mesmo, e nunca a encontrará. Você, você mesmo, como todos nesse mundo, merece seu amor e sua afeição”.

Esse é um assunto que adoraríamos iniciar uma discussão mais ampla. Como uma grande parte da população, as crianças, estão cada vez mais expostas e conectadas a mídias sociais e é responsabilidade nossa entender melhor as implicações de tais hábitos em gerações mais jovens.

Como sempre, adoraríamos saber o que você está pensando sobre esse assunto. Você já se pegou comparando sua vida com a de outras pessoas nas mídias sociais? Como você acha que podemos nos educar e as gerações mais jovens em como maximizar os aspectos benéficos das mídias sociais enquanto minimizamos os impactos negativos?

1 Comentário

  • Esse assunto devia fazer parte do currículo escolar, passar em anúncios de televisão, ser distribuído em forma de panfletos e etc para alcançar o maior número de pessoas possíveis. Acredito que 90% dos casos de ansiedade e depressão se resolveriam ou ao menos diminuiriam se as pessoas que os suportam tomassem como verdade absoluta o que aqui foi escrito. Só li verdades, e minha vontade é fazer o mundo todo ler isso! Show de artigo!

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