Como funciona: meditação e estresse

Se você já meditou antes, é provável que tenha notado os efeitos calmantes dessa prática. Talvez a meditação com atenção plena, ou mindfulness, tenha ajudado a reduzir o estresse que você sentia em um dado momento. Ou, talvez, ela tenha ajudado você a ter uma vida menos estressante em geral. Mas, se você é como eu, provavelmente ainda está pensando: como isso é possível? Como algo tão simples como a meditação pode criar uma mudança na minha vida?

Estresse: o que acontece quando você está estressado(a)?

nunca menospreze a si mesmo

Antes de abordar como a meditação nos ajuda a gerenciar o estresse, vamos recapitular o que é estresse e o que ele faz com o corpo. O estresse é um mecanismo de sobrevivência desde a época em que morávamos nas cavernas. Quando entendemos algo como uma ameaça ou, atualmente, quando uma necessidade não é suprida ou uma tarefa não é cumprida, sentimos estresse e entramos no “modo de lutar ou fugir”. Como resultado, os hormônios cortisol e adrenalina são liberados no corpo, fazendo o coração bater mais rápido, a pressão arterial e açúcar no sangue aumentarem e a respiração acelerar. Eles suprimem o sistema imunológico e diminuem o fluxo sanguíneo no aparelho digestivo. Se o estresse for apenas temporário, essas coisas não serão um problema sério. Na verdade, isso pode aumentar nosso desempenho, foco e capacidade, ajudando-nos a vencer o que está causando o estresse.

O problema é quando o estresse se torna um estado crônico e contínuo do corpo e da mente. Essa a liberação contínua de cortisol e adrenalina pode, por sua vez, levar a sérios problemas de saúde, incluindo pressão alta, doenças cardíacas, enxaqueca ou diabetes, para citar alguns exemplos.

Como a meditação alivia o estresse?

picnic

Quando fazemos uma pausa e meditamos, tomamos uma decisão ativa de mudar de um estado de espírito barulhento, superestimulado e sobrecarregado para um mais calmo e silencioso. Para fazer isso, nós nos concentramos na respiração, respirando fundo e observando. Prestamos atenção em quais pensamentos estão surgindo em nossas mentes, sem ficar presos a eles. Em vez disso, deixamos que eles passem, removendo os ganchos que estavam presos por dias em nossa mente. Percebemos a sensação dos nossos pés no chão, a temperatura do ar, o cheiro do ambiente.

Ao focarmos no momento presente dessa maneira, enviamos sinais ao cérebro que dizem: “Estou seguro(a). Estou pronto(a) para me acalmar.” Depois de receber esses sinais, o cérebro gradativamente começa a se acalmar, enviando sinais para o resto do corpo soltar e relaxar. A frequência cardíaca diminui, a respiração desacelera e fica mais profunda. Como resultado, os diversos efeitos colaterais de estresse se dissipam, e o corpo retoma suas funções normais em um estado calmo, melhorando nossa saúde e bem-estar geral.

Meditar de forma consistente: continuidade é a chave

Meditar é como ir à academia. Na primeira vez que você vai, você anda apenas alguns minutos de cada vez na esteira. No entanto, quanto mais você praticar e treinar regularmente, mais forte e resistente ficará. Com o tempo, você poderá até correr por períodos longos e não vai desmaiar depois. A meditação funciona da mesma maneira. Quando você praticar regularmente, ficará mais fácil manter emoções e pensamentos positivos, principalmente quando coisas ruins acontecerem de repente.

O estabilizador de humor

stress

Nem sempre percebemos isso, mas a maioria de nós leva uma vida bastante agitada. Você pode ver isso como uma bênção ou maldição, mas a maioria de nós é muito bom em se esforçar muito além de nossas habilidades, constantemente colocando nossas necessidades e desejos de lado para atender aos padrões irreais estabelecidos por outros ou, mais frequentemente, por nós mesmos. Continuamos a nos colocar em segundo lugar e, por fim, chegamos no limite, esvaziados de todas as emoções, energia e motivação. O pior é que nossa cultura recompensa e incentiva esse comportamento. Dormir quando você já está morto(a), o medo de ficar por fora das novidades, exaustão e estar sempre ocupado(a) são um símbolo de status, mesmo que seja às custas de um esforço constante, a ponto de causar estragos em nosso estado emocional e físico.

Meditar de forma consistente é uma maneira de puxar o freio, forçar-se a pausar e voltar a esse conjunto interno de valores que orienta suas decisões diárias. A meditação em si é um ato de autocuidado e promove uma consideração mais profunda de suas próprias necessidades, bem-estar e limites. Em vez de sentir que perdemos o controle da nossa agenda e tempo, ou de ser sugado por compromissos, obrigações e trabalho, a meditação atua como uma ferramenta que nos ajuda a recuperar uma sensação de controle. Isso, com o tempo, ajuda a estabilizar nosso humor e estado geral de espírito todos os dias.

Meditação: um processo de aprendizado, não um analgésico

Uma coisa que precisamos lembrar constantemente é que a meditação não é como um analgésico que resolverá todos os nossos problemas e dores em um instante. Devemos ser pacientes e consistentes. A meditação é a prática de ver diferentes aspectos da vida sob diferentes perspectivas. E quanto mais praticarmos, mais seremos capazes de usar esse ponto de vista calmo e objetivo, não só durante a meditação, mas mesmo depois que terminamos a prática. A qualquer momento, independentemente da emoção que sentimos, somos capazes de ver as emoções e sensações físicas com sabedoria e serenidade. Por isso, a prática consistente é essencial para manter essa habilidade sempre forte.

Ao aprofundar sua prática, você sempre aprenderá algo novo. Você construirá a si mesmo(a), passo a passo. Somente através da prática contínua, esses aprendizados e revelações tornam-se mais arraigados em sua maneira de pensar e viver.

Qual foi o maior desafio que você enfrentou ao aprender a meditar?

Qual foi o maior benefício que obteve ao meditar consistentemente?

Tradutora: Livia Ferolla

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