Luz azul na hora de dormir: Como os smartphones podem ser a causa da sua insônia.

Nosso corpo é uma máquina sensacional, construída com sistemas maravilhosos e com uma sintonia fina para nos proporcionar uma vida saudável e equilibrada. Cada um de nós é guiado por essa força inata, que nos ajuda a navegar por nossas experiências individuais. Um dos mais básicos e fascinantes sistemas é conhecido como relógio biológico. Podemos pensar nesse relógio como um dispositivo regulador intrínseco – fundamental para funcionamento, organização e coordenação do nosso comportamento diário. Em essência ele regula os processos do nosso corpo, mantendo tudo funcionando de maneira adequada.

Nosso relógio biológico dirige um de nossos ritmos diários mais básicos – um ciclo de dormir-acordar chamado de Ciclo Circadiano, que produz mudanças físicas, mentais e comportamentais em relação a presença do sol. É feito para nos manter ligados ao amanhecer e anoitecer, acordados e alertas durante o dia e mais cansados quando a noite chega. Conforme a luz vai se apagando, o dia virando noite, nosso cérebro libera um hormônio chamado melatonina, que sinaliza o início de nosso descanso e preparação para dormir. Quando amanhece, depois do período de descanso, acordamos para o novo dia com um senso de renovação.

Quando nossos corpos são expostos a luz artificial a noite, pode ser confuso para o cérebro, o que pode interferir com esse sistema. A luz azul em particular – o tipo de luz emitida por smartphones, tablets e telas de LED – pode ser uma grande perturbador para nosso ciclo natural de acordar-dormir, porque leva nosso corpo a reagir como se o sol estivesse levantando. A luz que recebemos nos olhos, provinda desses aparelhos, sinaliza para que nossa glândula pineal no cérebro suprima a produção de melatonina, que normalmente nos faz sentir sonolentos. Ao invés de usar esse tempo que a natureza nos reservou para relaxar e nos recuperarmos, acabamos nos sentindo estimulados e agitados.

Essa luz azul, não só retarda o momento que cair no sono, para graus diferentes, mas também reduz o REM (movimento rápido dos olhos) e altera nosso relógio circadiano para que possamos acordar mais tarde. Com o tempo, essa mudança em nosso ritmo, que cuida da liberação de hormônio, hábitos alimentares, digestão, temperatura corporal e outras funções corporais importantes podem causar problemas de saúde complexos. De acordo com o Instituto de Ciências Médicas Gerais, o ritmo circadiano irregular está ligado não só a distúrbios do sono, mas várias outras condições de saúde crônicas, tal como obesidade, diabete, depressão, desordem bipolar e transtorno afetivo sazonal.

Eliminando nossa exposição a luz azul durante a noite, nós agimos conscientemente para regular a função mais importante do nosso corpo – e fazendo isso, nos responsabilizamos pela manutenção de nossa saúde. O jeito mais efetivo de fazer isso é estabelecer um “toque de recolher digital” em nossa casa. Evitando a exposição por uma ou duas horas antes de ir para a cama, você permite que seu corpo se prepare internamente, produzindo melatonina e evitando a estimulação, para ter uma noite de sono melhor.

Pode ser um hábito difícil de quebrar, especialmente para nós que estamos acostumados a estar constantemente plugados. A maioria de nós sabe como é ter o celular ao alcance da mão, quando vamos para cama, especialmente se você usa como alarme. Um simples alerta de um e-mail novo, texto ou post nas mídias sociais e quando você vê já está grudado na tela de novo. Cada vez que fazemos isso, liberamos dopamina, uma química em nosso cérebro que nos faz sentir bem. É muito parecido com um vício, então é pode ser quase impossível de resistir a vontade de checar nossas notificações. Portanto, um bom lugar para começar é retirar celulares e outros aparelhos do quarto.

Se você ainda não está pronto para abrir mão do seu celular antes de ir pra cama – ou se você trabalha no computador até tarde – existem outras alternativas para diminuir a exposição à luz azul a noite. A primeira é simplesmente diminuir o brilho da tela ou colocar um filtro no seu aparelho para limitar a luz azul e UV. São medidas simples, mas a menos efetivas.

Outra alternativa são os apps disponíveis que automaticamente mudam os tons das cores na tela de azul para outras mais quentes como amarelo, laranja e vermelho. Essas cores, similar ao por do sol, ajudam o corpo a se preparar para o sono. Muitos aparelhos tem uma função que permite que você altere as cores da tela para tonalidades mais quentes. Se você for em Configurações – Tela e Brilho você mesmo pode alterá-las. Mesmo que esses apps e ferramentas não são capazes de remover totalmente toda a luz azul dos aparelhos, podendo causar tensão ocular devido a falta de contraste e distorção de imagem, eles oferecem uma solução parcial.

Mais uma opção, que pode ser usada sozinha ou em conjunto com soluções que filtram a luz, são óculos de luz azul. Do mesmo jeito que os apps e filtros de tela, esses óculos foram desenvolvidos para ajustar a exposição a ondas prejudiciais emitidas por smatphones, tabletes e computadores. Acredita-se que os óculos são uma solução ampla que previne a tensão ocular excessiva, bem como problemas para dormir.

Se você tem tido problemas com o sono, e como tanta gente está grudado nas telas como nunca, pense em ter um desses aparelhos que reduzem a luz azul. Não há como negar que vivemos no mundo do Instagram, Netflix e das longas horas na frente do computador. Consciência é a chave para vivermos de maneira mais saudável.

Adoraríamos saber o que você pensa sobre isso. Já pensou em reduzir sua exposição a luz azul ou algum desses filtros que falamos? Se sim, você notou alguma diferença no sono ou aumento de energia?

Angela Boltz

www.barefootbecause.com

Instagram @barefootbecause_

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