Vulnerabilidade e Pedindo apoio enquanto Mães

Angela Boltz

Em algum momento, foi dito às mães que elas eram capazes de fazer tudo sozinhas. Ir devagar, fazer uma coisa de cada vez, muitas vezes nada mais é do que um ideia romântica, que fantasiamos naqueles poucos minutos entre deitar a cabeça no travesseiro e cair no sono. A vida moderna começou a se mover rápido demais, demandando que muitas mulheres equilibrem suas carreiras, com a criação dos filhos, cuidar do relacionamento e das responsabilidades domésticas. As mães se tornaram mestres em ser multitarefas, cuidando sozinhas de tarefas que costumava ser dividas por comunidades inteiras.

Desde que me tornei mãe, vejo em primeira mão o que é necessário para fazer tudo e ainda por cima com graça. Pessoalmente, precisei de muito apoio no meu caminho. E mesmo que as necessidades possam variar, dependendo dos recursos que cada uma de nós tem financeiramente, em relação aos seus parceiros e comunidades, encontrei muitas mães que, assim como eu, se sentiam sobrecarregadas por essa carga enorme. Mesmo assim, notei que muito poucas delas pediam pela ajuda que tanto precisavam. Era como se cada uma fosse uma ilha, isolada e precisando de ajuda. De alguma forma, mesmo que soubessem em seus corações e mentes que precisavam de ajuda, vi muitas delas sofrendo sozinhas.

Vergonha de pedir ajuda

Comecei a me perguntar o porque disso. Por que pedir ajuda parecia uma exceção e não a norma? Porque pedir ajuda só acontecia em momentos de desespero quando as mães estava a “beira de um ataque de nervos”? Porque as mulheres não consideravam a necessidade de manter o próprio bem estar? E porque, mesmo quando eu oferecia sinceramente minha ajuda para as outras mães da minha comunidade, sempre ouvia um “Ahh, obrigada, está tudo bem, eu estou bem” (quando não estavam?)

Quando me vi diante do meu próprio desconforto em pedir ajuda, comecei a perceber que não era pessoal. Era algo que havíamos aprendido, onde as dificuldades de ser mãe haviam sido normalizados. Ao invés de arriscar o desconforto de se sentir vulneráveis, aprendermos a mostrar que estava tudo bem. É claro que existem diferenças culturais, mas a narrativa moderna é que nossa força está em uma auto-resiliência radical, ao invés de comunitária. Fomos ensinadas que pedir ajuda atrapalha. Temos medo de sermos vistas como um peso para as pessoas em nossas vidas que tem suas próprias rotinas, desafios e obrigações. Temos medos de expor nossas dificuldades, necessidades e de parecermos imperfeitas.

A necessidade de conexão e um senso de pertencimento

De alguma maneira, nos tornamos pessoas sem comunidade, nos esquecemos que somos programados para nos conectarmos e que encontramos isso quando nos permitimos ser vulneráveis. Brené Brown, uma professora pesquisadora na Universidade de Housten diz que, “a vulnerabilidade é a essência da vergonha e do medo e da nossa luta para termos valor, mas parece ser também o berço da alegria, criatividade, pertencimento e amo.” Ela diz que seres humanos nasceram para se conectar e que, “Para que essa conexão aconteça, precisamos nos permitir sermos vistos.” Precisamos saber que todos nós merecemos nos conectar.

Enquanto mães, quando nos permitimos mostrar nossa vulnerabilidade e pedir ajuda, não só preenchemos a nós mesmas, como abrimos a porta para que outras mães façam o mesmo. Quando mostramos nosso destemor, damos o primeiro passo em direção a verdadeira autocompaixão e nos relacionamos de um lugar de completude com aqueles que amamos. Criamos autenticidade e mostramos que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, inadequação ou fracasso. Ao contrário, mostramos que conseguimos reconhecer nossos limites, priorizar nosso bem estar e valor, mesmo quando estamos cuidando das necessidades dos outros.

A verdade nua e crua é que, como mães, não podemos e nem devemos achar que damos conta de tudo. Podemos tentar, mas no fim das contas, quando tentamos fazer tudo, alguma coisa sempre fica de fora. Acho que quem falou disso da melhor maneira foi Publilius Syrus, um escravo que viveu no séc. I D.C. Ele disse: “Fazer duas coisas ao mesmo tempo é não fazer nenhuma”. Nosso cérebro humano foi construído para fazer uma coisa de cada vez e não evoluiu para processar múltiplos fluxos de dados simultaneamente. Como podemos estar presentes no momento quando nossos pensamentos estão continuamente fragmentados? Como podemos estar com as pessoas que amamos, quando nosso sistema está a beira de rachar? Quando vivemos constantemente sob estresse e responsabilidades, nosso sistema nervoso nunca terá a oportunidade de descansar e recomeçar, levando ao declínio cognitivo e de nosso bem estar.

Nos apoiando em nossas vulnerabilidades

Apesar da curva de aprendizado ser aguda, percebi que me apoiar em minha própria vulnerabilidade é a chave da minha paz de espírito. Eu gostaria de mostrar, da melhor maneira possível, do que somos capazes quando nos vemos bravamente diante de desafios e conseguimos sair do outro lado. Eu aprendi a pedir ajuda sem vergonha, bem como de oferecer sinceramente. Muitas vezes, quando peço ou ofereço, recebo um “não”. Ainda sim, apesar do desconforto eu peço um pouco mais. Porque o que percebi foi:

Por mais que eu não queira essa sensação de vulnerabilidade, eu quero se uma mulher que apoia as outras em encontrar seu caminho de volta para a conexão. Eu quero encorajar uma visão de mundo que valoriza o devagar no lugar do rápido, o descanso no lugar da exaustão e mais importante, ajudar uns aos outros, mesmo quando não é tão fácil ou conveniente. No pouco tempo que tenho com meu filho, eu quero estar presente tanto quanto possível, para que possamos aproveitar o momento ao máximo. Nós dois merecemos.

Quando começamos a andar livremente nessa porta giratória de dar e receber apoio verdadeiro àqueles que fazem parte da nossa comunidade, mais nos tornamos parte da mudança. Num clima cultural que perpetua o individualismo, a desconexão, o isolamento, pedir ajuda oferece a todos a oportunidade de criar um senso de pertencimento. Quando questionamos esses valores culturais, damos o primeiro passo para redefini-los.

Mulheres, é hora de dar um grande suspiro, deixar os ombros caírem e pedir pelo que precisam. Vocês merecem também.

Tradutor: Flavia Totoli

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