A água da vida

A experiência que vou contar pode parecer um pouco exagerada, mas recentemente eu descobri o melhor presente que já dei para mim mesmo. Foi único, transformador e me mostrou humildade. A única maneira que posso descrever essa experiência é como se estivesse tomando água direto da fonte da vida. Essa experiência me rejuvenesceu e me revigorou de tal forma, que me fez sentir uma imensa gratidão e alegria.

Aconteceu quando finalizei o programa “Gerenciando o Estresse”. Quando a última meditação estava terminando, era como se uma voz gentil suspirasse no meu ouvido, me dizendo para ser grato a mim mesmo, e me vi dizendo para mim: “Eu acabei de beber da fonte da vida.”

Talvez tenha sido meu lado literário falando, mas a expressão “fonte da vida” simplesmente surgiu na minha cabeça. Me lembrou da primeira corrente de água que damos às flores recém-plantadas para ajudá-las a se estabelecer no solo. Essa água ajuda as plantas a criarem suas raízes e a se conectarem com a terra.

Eu encontrei esse poço profundo numa manhã. Me deu tanta flexibilidade, que me surpreendi ao me ver deitado na cama durante minha última meditação. Quando comecei a meditar, me coloquei algumas regras: eu iria praticar sempre sentado e com as pernas cruzadas. Mas, no final da oitava semana, entendi que relaxar significa coisas diferentes para cada pessoa. Quando estava na metade do programa comecei a meditar com as costas apoiadas na parede, e com as pernas esticadas para não machucar meu joelho. Claro, tem uma grande diferença entre as duas: uma eu abri mão por necessidade e a outra foi um esforço para ser gentil comigo mesmo, e, escolhi ser compassivo com o desconforto que sentia em meu joelho. Nessa última prática eu estava igualmente generoso e compassivo comigo mesmo e pensei: “Está frio hoje, vou meditar debaixo do cobertor”.

Sem conseguir Respirar

Minha respiração me levou a essa fonte vital dentro de mim. Eu meditava regularmente antes de começar o programa de 8 semanas, mas nunca consegui estar presente no momento com a minha respiração. Antes, sempre que era guiado a focar na minha respiração, me sentia claustrofóbico. Meu coração acelerava em alguns momentos, e eu acabava tendo um ataque de pânico. Pode parecer estranho, que só o fato de focar na respiração me deixasse ansioso, mas era o que acontecia. O que acabou sendo minha âncora nesses momentos era focar nas palmas da minha mão. Focando nessa área eu conseguia me sentir presente e vivo, como se sentisse meu pulso bem no meio da minha mão. Olhando para trás, eu percebo que era porque eu tinha colocado ali a minha fonte vital.

Com o tempo, aprendi a focar na respiração sem sentir aquela ansiedade, aquele pânico. Mas, mesmo sentindo que estava melhorando, quando focava em inspirar e expirar, eu sentia uma pressão se abrir no meu peito junto com uma sensação de opressão no meu estômago. Daí, as palpitações no coração aumentavam subitamente e a sensação de claustrofobia voltava. Comecei a me sentir sem esperança de que conseguiria superar essas sensações.

Usando a respiração para me conectar com a vida.

O que aconteceu comigo foi o resultado de tentar algo, sem ficar me julgando. Mas só foi possível depois de muito trabalho e esforço. E foi só quando consegui parar de focar só nas palmas das minhas mãos, que pude me conectar com a vida através da respiração.

Por mais difíceis e emocionalmente desafiadoras que fossem essas práticas, eu posso dizer com segurança, que esse foi o maior presente que já me dei. Me reconectar com a minha própria existência, finalmente me fez sentir como se tivesse raízes, confortável na minha própria pele e capaz de me consolar com minha fonte vital. Agora, no futuro, se eu sentir esse pânico ou ansiedade, sinto que tenho as ferramentas dentro de mim para me acalmar sozinho. É claro que existirão momentos que vou evoluir, me transformar. Momentos em que vou me sentir murchar para poder desabrochar novamente, mas em momento algum minha essência será comprometida.

A meditação permite que eu me sustente

Essa é uma das coisas mais importantes que descobri em relação a meditação. Meditar nos ensina habilidades e técnicas para sermos capazes de entrar em contato com essas emoções, sentimentos, pensamentos e revelações por nós mesmos. Dessa maneira, eu mesmo consigo usar o que já tenho dentro de mim e cultivar minha fonte vital. Eu não preciso me apoiar no que está fora para me ajudar, a meditação permite que eu consiga me ajudar.

É incrível pensar nas coisas que alcancei em tão pouco tempo. Essas 8 semanas que me dei, eu insisti, me recusei a entrar nos jogos que minha mente criava, me convidei a refletir e fui generoso e compassivo comigo. Tive momentos que só queria puxar o cobertor sobre a minha cabeça e esquecer minhas ansiedades. Mas no dia seguinte eu recomeçava de onde tinha parado. Com perseverança, consegui abrir canais na minha mente e internalizar memórias positivas e padrões de pensamento no meu cérebro. De novo, sozinha, com a minha força de vontade, consegui me alimentar dessa fonte de vitalidade.

Não é que minha vida e o mundo sejam perfeitos. É só, que agora eu consigo observar e interagir com os outros com mais clareza. Claro, eu ainda tenho que usar óculos, mas sinto que minha visão melhorou. Quanto mais eu praticar, melhor vou conseguir enxergar.

Me sinto tão feliz e orgulhosa, não só por de ter conseguido finalizar o programa de 8 semanas, mas por ter descoberto essa riqueza dentro de mim. A gratidão que sinto me impulsiona a seguir em frente. Eu sei que ainda haverão manhãs que vou querer me esconder debaixo das cobertas porque algo está me entristecendo muito, mas uma coisa é certa: é possível ficar na cama e meditar também.

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