A meditação pode ajudar na superação de desordens alimentares e transtornos dismórficos?

Todos nós temos um relacionamento com a comida. As vezes é uma relação tênue. Outras vezes é dominante. Podemos experimentar desordens alimentares quando nossa relação com a comida é muito fraca ou muito forte. Você já se viu quase inalando a comida e a evitando totalmente por preocupação com sua imagem? Talvez você nunca tenha passado por isso, mas pode ser que você conheça alguém que passou ou passa. De acordo com pesquisas científicas, as desordens alimentares está aumentando em muitos países.

Desordens alimentares gira em torno de não comer o suficiente ou comer demais. As três desordens alimentares mais comuns são:

  • Anorexia Nervosa: Colocado de maneira bem simples, a anorexia nervosa se define pela aversão ao ganho de peso. Não importa o peso da pessoa – mesmo que essas pessoas pareçam magras ou saudáveis – quando elas se olham no espelho, elas tendem a se ver “acima do peso”. Isso se baseia num entendimento equivocado em relação a própria imagem. Pessoas que sofrem de anorexia podem diminuir a quantidade de comida ou se exercitarem excessivamente.
  • Bulimia Nervosa: A bulimia é definida por comer demais e depois tentar se livrar do que foi consumido, normalmente se forçando a vomitar. A Bulimia pode passar despercebida porque as pessoas que sofrem com ela tomam muito cuidado para esconder o que está acontecendo. Há um senso de vergonha por parte das pessoas que sofrem desse transtorno.
  • Compulsão Alimentar: Comer compulsivamente se define por consumir a maior quantidade de comida possível sem nenhum autocontrole, mas diferentemente da bulimia, comer compulsivamente não se segue por atos designados como “remédios” para comer demais

Quando começa o problema e como pode ser resolvido?

Existe uma causa base por trás das desordens alimentares. No entanto, fatores genéticos, disfunções hormonais e questões psicológicas, trabalhar com coisas em que ser “magro” é um requerimento, e a imagem padrão da sociedade que vivemos podem contribuir no desenvolvimento de desordens alimentares. As três categorias de desordens mencionadas acima, podem levar a problemas sérios de saúde, podendo resultar até mesmo em morte. Transtornos alimentares só podem ser solucionadas com a ajuda de profissionais treinados, como psicólogos e psiquiatras. Se você acha que pode estar sofrendo de alguma desordem alimentar, procure a orientação de um médico, psicólogo ou outro profissional treinado.

Um dos métodos mais comuns que os profissionais usam no tratamento de pacientes com transtornos alimentares se chama “terapia cognitiva”. A terapia cognitiva é um modelo que acredita que nossas emoções e comportamentos são criados através da perspectiva individual das pessoas em relação a vida. Em outras palavras, o problema não é o que acontece conosco, mas o modo como reagimos aos eventos e como os interpretamos.

Isso soa um pouco familiar, não? Isso porque essa idéia que encontramos em técnicas terapêuticas usadas para ajudar pacientes com transtornos alimentares, é a visão que a meditação traz. A meditação simplesmente nos ensina a estar presentes no momento, sem julgamentos. A meditação combinada com dados científicos e terapia cognitiva, tem por objetivos ajudar pacientes a se livrarem de padrões equivocados e negativos que os atrapalham. Em conjunto com a terapia feita com um profissional capacitado, tal como a terapia cognitiva, a meditação nos ajuda a aumentar a consciência sobre nossos padrões de pensamento. Pode ser uma ferramenta de apoio no tratamento desse transtorno.

Olhando para três desordens alimentares por um só microscópio.

Muitas mulheres, e eu me incluo nisso, já passaram por um momento em suas vidas em que focaram tanto em sua imagem que acabaram obcecadas. Não tem problema nenhum reconhecer isso. Quando estava passando por uma crise emocional, você pode ter “engolido” sua sobremesa e nem ter percebido. Mas isso não nos faz pessoas melhores ou piores.

Pesquisas científicas mostram claramente que homens e mulheres podem sofrer de vários tipos de desordens alimentares. É verdade que existem mais casos entre mulheres, mas isso não invalida os casos entre homens que lutam com o problema. Os exemplos acima, esperamos, ajudam a clarear um pouco o que acontece com essas pessoas, independente de gênero. Para todos os tipos de desordens alimentares, existem meditações e truques que podemos aprender com a meditação para complementar a terapia e o processo de recuperação.

Vamos começar com a Anorexia Nervosa: Os anoréxicos tendem a considerar que “ser magro” é uma forma de sucesso pessoal. Quando se tenta ajudar pessoas com esse distúrbio, a terapia cognitiva foca em mudar essa crença. A meditação pode ajudar nesse caso? Simplesmente estar presente no momento, sem julgamentos, pode ajudar muito na mudança de perspectiva em relação ao “corpo ideal” e alterar a noção de que “temos que ser magros”. Prestar atenção na respiração e permanecer no momento ajuda a pessoa a se reconectar consigo mesma e com suas emoções. Aprender a fazer isso, podemos aprender uma técnica que nos ajuda a lidar com o transtorno.

A meditação também tem o potencial de ajudar pessoas que sofrem com Bulimia Nervosa. A Meditação pode ajudar a identificar as causas raíz que leva a pessoa a querer se livrar da comida que comeu. Estar consciente das razões por trás da culpa, podemos olhá-la com muito mais atenção. Conforme descobrimos os pensamentos e crenças que alimentam esse sentimento, podemos compartilhá-las com o terapeuta. isso , por sua vez, pode nos ajudar no caminho da recuperação mais rapidamente e com mais consciência.

Se o problema está em comer compulsivamente, é importante aprender a estar presente no momento. Esse tipo de desordem normalmente se resume a comer uma grande quantidade de comida que o normal, até se sentir fisicamente desconfortável. De cero modo, esse é um processo na qual nossa mente consciente é ignorada. Por isso que a meditação de consciência pode ajudar a nos deixar mais ligados com o que está acontecendo no momento e evitar que sejamos levados pela urgência de comer exatamente naquele momento. Os novos caminhos que abrimos em nossa mente através da meditação nos ajuda a perceber o quanto de fome estamos realmente sentindo. Ele nos ajuda a termos calma para decidir quando e o que vamos comer.

Uma nova forma de abordar a comida

É muito importante se conscientizar do quão fundamentais são as terapias e orientações profissionais para solucionar desordens alimentares, e a consciência também é fundamental nesse processo também. Por isso é importante:

Desacelerar: O corpo manda o sinal “estou comendo” não quando estamos comendo, mas 20 minutos depois que começamos a refeição. Levando esse fato em consideração, é uma boa idéia comer devagar. Isso não só ajuda o sistema digestivo, como facilita reconhecermos que estamos satisfeitos

Escute seu estômago. Você realmente está com fome? Ou é a sua mente te dizendo para comer por outras razões? Se o seu estômago está roncando, então você é um bom ouvinte! Quer dizer que você está prestando atenção no que seu corpo está dizendo. Isso ajuda não só com comer compulsivamente, mas com a anorexia também. É importante comer quando nosso corpo nos sinaliza que está com fome.

Não coma por acaso: Planeje um cardápio adequado ao seu estilo de vida. Dessa forma você pode criar uma rotina de apoio ao longo do caminho. Não deixar comida espalhada em casa ou no trabalho também ajuda a não pensar em comer o tempo todo.

Abra espaço para comidas saudáveis:Substitua pratos com altos índices de carboidratos por opções mais saudáveis. Mas não coma só coisas ditas saudáveis, mas que você não gosta. Isso pode fazer com que você volte a velhos hábitos alimentares. Ao invés disso, escolha comidas que você gosta de verdade. Se está com desejo de doces, porque não tentar uva passa? É importante entender que você pode ir devagar e escolher comidas saudáveis.

Ter um relacionamento com a comida: Uma coisa que pode fazer você ficar mais consciente do que está comendo é o pensar no processo de preparação do prato que você vai comer passou antes de ser servido. Como as verduras e legumes no seu prato foram cultivadas? Pare e imagine por um momento. Como esse pedaço de pizza foi feito, ou onde este cogumelo foi apanhado? Expressar gratidão por todo o tempo e esforço que outras pessoas tiveram para que fosse possível preparar a refeição a sua frente pode mudar a maneira pela qual você encara a comida. E mais, pode te levar a fazer escolhas mais conscientes para o você e para o planeta.

Se foque na refeição: Existem muitos ditados sobre comida e sobre comer. Um muito conhecido é “Engoli o prato”. Quando ficamos mais conscientes de cada mordida que damos, apreciamos mais o sabor dos pratos. Podemos acabar comendo até menos do que o normal. Alternativamente, podemos começar a deixar espaço para outra coisa que queremos comer sem nos sentirmos culpados. Ou seja, comer com mindfulness pode te dar exatamente aquilo que você precisa.

Pergunte ao seu estômago: o que ele está dizendo?

Nossa relação com a comida já foi de um extremo para o outro, graças a sociedade de consumo que vivemos. Ou não comemos e prejudicamos nossa saúde, ou comemos demais e prejudicamos nossa saúde de outra forma. Você já pensou o que te levou a ser tão duro consigo mesmo? Pergunte ao seu estômago: você está com fome mesmo? Se estiver, então se dê o que você precisa. O que importa se sua mãe tinha um corpo diferente do seu com a mesma idade?

Quando eu tinha 16 anos, tentei entrar no vestido de noiva da minha mãe. Não consegui. Isso me trouxe tanta tristeza na época, mas agora faz me faz rir. Porque com o tempo eu percebi que não importa o meu peso, contanto que eu esteja saudável. As pessoas não precisam todas ser do mesmo tamanho. No fim das contas, todos nós podemos prestar um pouco mais de atenção ao nosso corpo e um pouco menos em nossas mentes.

Tendo dito isso, essa é uma conversa que precisa continuar em todas as comunidades. Em todos os lugares que homens ou mulheres estejam lutando com desordens alimentares. Nesse caso, adoraríamos saber o que você pensa, se tem alguma pergunta, ou opinião diferente. Queremos muito saber o que você pensa, então conte para nós nos comentários abaixo!

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